sábado, 14 de julho de 2012

ele não fumava

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Havia milhões de palitos de fósforo espalhados pelo chão de pedra suja da praça. Parecia que todos os habitantes da cidade iam ali para fumar seus cigarros, bagulhos, charutos, e que nenhum deles tinha um isqueiro e se pareciam mutuamente asquerosos demais para que alguém quisesse acender seu cigarro na chama do cigarro de outra pessoa. Há anos não se via um gari por aquelas bandas. Tudo ali parecia lembrança visual e você só não pensava que estava sonhando com o passado porque de vez em quando via coisas insanas, como um garoto de 10 anos dançando techno como um índio do Equador:
— Curtiu, hein, mano?
O moleque nunca deixava os dois pés juntos no chão, intercalava batendo e erguendo eles à altura do joelho, chutando o ar. Era quase como o Chaves empolgado. Seu amigo observava sentado em um banco, segurando uma bicicleta pelo selim.
— Lindo... Você tá parecendo um babuíno no cio!
— Babuíno no cio é a sua avó!
— A sua, aquela cafetina.
— O que é cafetina?
— É quem ensina sua mãe a trabalhar.
— Ah tá... se liga nessa então. – a música do seu celular mudou para um psy trance e o garoto passou a remexer cada pedaço do corpo.
— Cê tá brincando de mímica, mano? Agora você é uma enguia elétrica, acertei?
— Vai tomar no cu.
— Ô, choque! – chamou um outro jovem de longe, em uma bicicleta.
— Tá chamando você, enguia.
— Cala a boca!
— Choque! Bora logo, caralho, a gente ainda tem que pegar aquelas chinas hoje, lembra?! – gritou de novo o rapaz.
— Guentaí, Paulão! Sobe aí, moleque.
— Moleque é o caralho.
— Cê é embaçado, hein, mano? Sobe logo aí, porra!
E os dois desceram pela rua lateral em direção às chinas.




Um monge budista surgiu de uma das ruas e foi em direção ao centro da praça, onde estava o memorial de inauguração. Ele tinha a cabeça raspada e vestia uma única peça de roupa clara manchada que vinha dos seus ombros e ia até os joelhos, cobrindo seu corpo magro. Trazia um headphone na cabeça, cobrindo seus ouvidos com Clarence “Gatemouth” Brown. O bloco de concreto tinha a altura de um homem. O monge subiu nele de um salto, e se equilibrou em pé formando um 4 com as pernas e juntando as mãos espalmadas. Fechou os olhos e assim ficou, ouvindo o blues e meditando, perfeitamente imóvel.




Manos não gostam de blues, mas um deles tinha uma coleção de cds, The Blues Collection, que era seu tesouro, guardado em uma caixa debaixo da sua cama, que ele havia ganhado de um tio que morava em Louisiana e era um artista de rua – gaitista – muito famoso por lá. Ele era apaixonado por blues e queria ser Lightin’ Hopkins. De fato havia comprado um óculos escuro no camelô para se parecer mais com o “gato preto”. Este rapaz agora discutia com dois amigos em um banco próximo ao centro da praça.

— Juro, cara, não sei que graça você vê nessa música. – disse um de seus amigos, um rapaz de nick Orelha.

— Oreba, você não sabe de nada, mano! Não conhece nada além desse rap importado, que chega aqui fedendo a merda, e quer criticar o blues! Você devia ouvir, Carol, ia saber do que eu estou falando.

— Que bluuuss?!... – respondeu Carol, a amiga que estava na discussão, sentada do encosto do banco, com os pés no acento – Vê lá se eu vou ouvir “bluuuss”, olha a minha cor, Botega!

— Justamente, Carol, olha a sua cor! – respondeu Botega, que tinha que se esforçar para se lembrar de um bluesman branco. – Blues de respeito só negro sabe fazer.

— Isso não importa, Botega. – interveio Orelha – Eu continuo achando esse seu som muito caipira.

— Foi mal aí, metropolitano.

— Vamos parar, caralho! – gritou Carol – Vocês já viram aquele cara por aqui? – ela apontava para o monge, que já meditava há uma hora.

— Eu já vi ele uma vez. Ele estava daquele mesmo jeito.

— Quero ver de perto.

Ela pulou do banco e andou em direção ao monge. Os outros a seguiram.

— Por que ele faz isso?

— Ele deve estar querendo bater um recorde.

— Ele deve estar meditando – disse Botega – queria saber o que ele está ouvindo.

— Deve ser alguma música new age idiota. – disse Carol.

O monge não se abalava, não estava sequer escutando o que diziam. Estava tão concentrado que talvez não ouvisse nem mesmo o Memphis Slim solando nos seus ouvidos.

— Mano, isso é muito idiota.

— Concordo.

— Vocês deviam deixar o cara em paz, vamos sair daqui.

— Dá um dinheiro pra ele então, já que se importa tanto. Ele tá precisando de uns pano novo pra vestir.

— O mano não tem nem chinelo, doido – observou Carol.

— Não vou tirar o cara da paz pra dar dinheiro pra ele – respondeu Botega.

— Então enfia no cu. Vamo embora. – disse Orelha.

E seguiram por uma das ruas até muito longe.

— Vou deixar a Carol na casa dela, Botega. Se da minha casa der pra ouvir aquele seu som de viado quando eu chegar, eu te pego amanhã.

— Vá a merda... – disse Botega, entrando na sua casa, que era vizinha da de Orelha. Puxou sua caixa debaixo da cama e pegou um cd da sua coleção, B. B. King – The King of Blues, colocou no seu rádio, com o volume em boa altura e se deitou para ouvir o rei: “The Thrill Is Gone...”




O monge ficou na sua meditação até o blues acabar. Já eram 3 da manhã quando um homem atirou no seu pescoço, de baixo para cima, e o derrubou para lhe tomar o Ipod. Por algum motivo inexplicável, o monge ainda se encontrava na mesma posição em que meditava quando foi encontrado por um gari na manhã seguinte.

— Olha a paz no rosto desse rapaz.

— É como se ele estivesse sorrindo sem estar.

— Esse buraco no pescoço dele tá horroroso, será que ninguém viu isso?!

— Cala a boca, Agenor! Todo mundo viu que o cara tá morto.

— É – disse o gari – e se vocês me dão licença, eu tenho que fazer meu trabalho.

— O que você vai fazer?!

O gari pegou o corpo do monge, com certa dificuldade, pois este se encontrava duro com as pernas formando um 4 e as mãos espalmadas juntas, e o colocou dentro do seu carrinho de lixo com um grande saco preto.

— Cara! Você tá maluco?

— A gente tem que chamar a polícia!

— Você não pode fazer isso!

— Quietos! – disse o gari, cuspindo no chão e olhando cada um daqueles cidadãos assustados com um rosto feroz – EU limpo o lixo que VOCÊS fazem. Vocês mataram esse mendigo, e eu vou levar ele comigo. É assim que acontece. Não é como se vocês se importassem. Ninguém se importa. Vocês nunca olharam na cara desse rapaz, nunca deram comida pra ele, e agora o matam com um tiro e eu tenho que enterrar ele no aterro sanitário da cidade. VOCÊS são responsáveis por isso. Então calem essas malditas bocas e me deixem limpar sua sujeira.

O gari deu o nó no saco e fechou a tampa da lata no carrinho. Seu serviço na praça tinha acabado.

Ele já ia embora quando um cidadão disse:

— Você deveria era varrer esses fósforos do chão...

E o gari, sem olhar para trás, se deu ao trabalho de responder:

— Foda-se, isso é problema de vocês! Parem de fumar, seus filhos da puta.
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Texto de Jack Kerouac - Beatnik

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Eu agi normalmente como fiz a vida inteira, com as pessoas que me interessavam. As únicas pessoas pelas quais me interessei foram as loucas. Aquelas que são loucas para viver, loucas para falar. Desejam tudo ao mesmo tempo, desde que possam seer honestas e cumplices. (Jack Kerouac - Geração Beat)
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Lágrima Divina: Resenha de O Oitavo Pecado de Adriana Vargas

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O Oitavo Pecado de Adriana Vargas
O Oitavo Pecado









O Oitavo Pecado é um romance forte, fortemente centrado em sentimentos e ambientado em cenários e temática fascinantes oriundos das mitologias cristã e grega.





Henaph, um anjo nascido puro e ignorante do mundo no ventre do deus pai, recebe uma tarefa importante ligada à guarda e manutenção do Jardim do Éden. Mas ao se deparar com outros seres que ali habitam, sua imprudência e ingenuidade se demonstram muito superiores à sua sabedoria. Pois devido à sua recente concepção, a personagem não tem nenhuma experiência e até mesmo coisas como o corpo masculino do deus Hermes se demonstra uma novidade. Ela apaixona-se perdidamente por ele, o que culmina na sua expulsão do Jardim do Éden e a perda de sua imortalidade. Agora, vivendo entre os homens, ela precisa tomar as decisões mais difíceis de sua existência e o maior dos desafios será atingir o autoconhecimento. 




O primeiro capítulo


Decidi dedicar uma parte da resenha somente ao primeiro capítulo pois devo confessar o quão fiquei impressionado com ele. O texto é denso, centrado na mente do anjo e com linda linguagem poética - descrição realmente digna do nascimento de um anjo. Nesse momento o leitor já é posto em contato com o ambiente místico do texto pois tudo se passa no interior da barriga do deus pai e trata-se do nascimento de Henaph. Essa característica é particularmente interessante pois os antigos gregos entendiam que a alma e a mente se encontravam no estômago. Esse é um capítulo belíssimo e se me permitem vou criar um termo e classificá-lo como "Alta Literatura".




A escrita


Como eu havia imaginado, do segundo capítulo em diante, a escrita se torna menos poética cedendo espaço para uma escrita levemente mais seca. O que faz com que as descrições de cenas se tornassem mais fáceis de se visualizar e também condiz com a condição de Henaph enquanto observadora do mundo, já que nesse ponto não estamos mais participando das primeiras impressões da mesma e sim partilhando de suas experimentações do universo ao redor. 


Os personagens divinos são bastante interessantes e distantes de pessoas comuns, mesmo que os deuses tenham as tais características que nos aproximam deles, ainda sim a autora trouxe uma visão completamente divina do modo com esses seres lidam com o seu destino, missões e tarefas. Além da relação entre eles, que é muito mais direta e sem meias-palavras. O que é bem diferente de quando se trata da relação entre os mortais, há uma clara diferença no modo de pensar, sentir, amar e temer entre essas duas classes. De modo geral, os deuses são menos passionais e mais disciplinados e submissos aos seus superiores, aceitando seus destinos com retidão e resiliência. Não posso deixar de ressaltar a maestria e domínio da autora com as palavras, introduzindo conceitos incomuns e maneiras diferentes de dizer e descrever as passagens, recomendo a leitura do livro até mesmo com uma intenção didática afim de aprender e "sugar" um pouco do poder de descrição da escritora, que aliás, fica clara a intensa pesquisa realizada antes de executar o projeto.





As lágrimas


Como eu havia mencionado, o texto é todo em primeira pessoa, contada por Henaph, e carregada de suas impressões. É uma personagem realmente intensa e há menções à suas aflições em boa parte da estória. Pois o livro trata disso, da luta de Henaph para se conhecer e domar seu coração(estômago para os antigos) durante sua sina rumo à perfeição. Talvez isso tenha feito o texto parecer um pouco arrastado em algumas passagens, mas em minha opinião isso não prejudica em nada, inclusive fortalece o clímax do final trazendo uma marcante compreensão de tudo que se passou. A personagem é claramente imatura e inconsequente, e é justo o que é explorado de tal maneira a se tornar a espinha dorsal do livro. 





Os ambientes


O primeiro cenário é pasmem - a barriga do deus pai. Que apesar das limitações óbvias do cenário é magnificamente bem aproveitado. Temos o Éden, a Ilha de Creta, castelos, interiores e uma miríade de locais que nos remetem ao passado lendário dos antigos gregos. A descrição é sucinta, o foco não é esse, mesmo em situações de combate não há minúcia na descrição dos ferimentos, tamanho do exército, aparência de algum animal, nada em grandes detalhes, o que vai com certeza agradar uma grande parcela de leitores e acredito, combine perfeitamente com a proposta da autora, pois, se diferente fosse, a estória correria o risco de perder o foco e o ritmo, o que não acontece em momento algum, o tom é o mesmo, do início ao fim.





Considerações Finais

Recomendo o livro a todos, pois ele tem diversos méritos como as descrições históricas, o romance, um determinado suspense quanto ao destino da personagem. Mas deixo um alerta aos leitores menos maleáveis, não se trata de um livro de ação, chego a enxergar um foco feminino em todo o texto, mas entendo que deixar de ler esse livro por conta disso será uma perda para o leitor. E sobre o livro em si, acredito que a editora pode investir melhor em acabamento nas próximas edições, não que ele tenha defeitos, mas poderia ter um acabamento muito melhor. Um texto tão maravilhoso merece todos os cuidados. Apesar disso, a diagramação é linda e as páginas e início de capítulos são decorados com figuras de asas e de anjos.










Adriana Vargas
Adriana Vargas




Sobre a autora: 


Formada em Direito pela UCDB; residente em Campo Grande – MS.


Adriana escreve desde os sete anos de idade. Teve participações com menções honrosas em diversos concursos literários. Autora das obras: O oitavo pecado, O voo da estirpe, O segredo de Eva, Borboletas na Primavera, Encontro de alma e Inocence, A Sociedade secreta. Coordenadora do Clube dos Novos Autores e Agente Literária da MODO Editora. Tem como meta, lutar pela ascensão literária no Brasil.














Siga a fanpage da autora para ficar por dentro das novidades: https://www.facebook.com/AdrianaVargasAguiar









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quinta-feira, 12 de julho de 2012

ratos se alimentam de blues

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Nesse Dia Internacional do Rock, meu segundo conto sobre o cotidiano fantástico é em homenagem a um dos pais do gênero, o Blues.



— Tem alguém nesse banco, meu jovem?
O rapaz no bar era alto e se curvava sobre o balcão olhando para uma parte do vazio que não se podia identificar. Aparentava uns 25 anos, talvez mais, com um penteado à Elvis um pouco bagunçado e barba de alguns dias. Vestia um jeans escuro amassado e uma camisa simples preta. Ouvindo o estranho, ergueu os olhos do seu copo de aguardente e piscou algumas vezes, como despertando de um devaneio, antes de dizer:
— Senhor?
— Não me recordo de ter adquirido nenhum escravo, não sou seu senhor.
— E eu não costumo tratar ninguém como superior, só não entendi o que você disse.
— Perguntei se havia alguém sentado aqui.
— Podia haver alguém aí até antes de eu chegar.
— Está sozinho?
— Na maior parte do tempo.
Não era possível definir a idade daquele senhor. Vestia um terno negro com uma camisa branca aberta no peito. Um chapéu de feltro negro com uma fita de seda cinza cobria seu cabelo grisalho. Tomou lugar no balcão, acendeu um cigarro e pediu uma dose de uísque. O balconista serviu a bebida e lhe ofereceu um cinzeiro. O velho tragou demoradamente seu cigarro, virou-se para o jovem e perguntou:
— Onde estão seus amigos?
— Em algumas das cidades por onde passei.
— Não tem amigos aqui?
— Não na minha definição de amigo.
— E sua namorada?
— Não tenho uma.
— Por quê?
— “Por quê”?
— Sim, por quê?
O jovem tomou sua aguardente de um trago, estalou os dedos pro balconista e apontou o copo vazio. Pensou um pouco enquanto observava a cachaça envelhecida sendo despejada no pequeno copo até enchê-lo e disse:
— É uma boa pergunta.
— Já teve uma namorada?
— Não.
— Como! Você já teve tempo suficiente para se apaixonar a essa idade.
— A que idade, vovô?
— Bom, você tem quantos anos? Vinte e cinco, vinte e seis?
— Vinte.
— Não minta pra mim, rapaz.
— Eu nunca minto, acho um erro estúpido de se cometer. Não raro as pessoas pensam que sou mais velho. Deve ser minha aura amena, meu ki em repouso: “ar de velho”. Mas como esse tipo de coisa não faz sentido, creio que meus trejeitos acabam expressando a tranqüilidade que eu penso ter. Jovens não são calmos.
— Realmente. Você é sempre assim?
— Sempre, pouca coisa me abala.
— Isso é muito bom, rapaz.
— Pois é. Ambrose Bierce diz que a paciência é uma forma menor de desespero, disfarçada em virtude.
— Você não me parece desesperado.
— E não sou. Sou indiferente demais para me desesperar.
— Então você não se importa com nada?
— Com muito pouco. Não conheço muitas coisas que importem.
O velho deu uma boa puxada no seu cigarro e tomou um gole de uísque. Demorou a soltar o ar. Soprou a fumaça na direção do copo e aquela imagem, iluminada pela luz fraca do bar, era inegavelmente bonita. O balcão brilhava com algumas manchas de copos de meia hora atrás.
— Aceita um cigarro, rapaz?
— Eu não fumo.
— Se importa que eu fume perto de você?
— Nem um pouco.
— Você não parou de contrair as narinas desde que eu acendi o cigarro.
— Eu não gosto do cheiro.
— Então você se importa – disse o velho, puxou a chama do cigarro quase até o filtro e o apagou no cinzeiro. Soltou a fumaça pelas narinas devagar.
— Se você não tivesse falado comigo, eu teria saído do balcão.
— Não me parece justo.
— Nem a mim, mas prefiro isso a pedir para a pessoa apagar o cigarro.
— Ela tira seu direito de respirar e você não quer tirar o dela de fumar, você é mesmo muito tranqüilo.
— Pelo menos eu tenho direito de me afastar de pessoas assim.
— Tem razão, me desculpe.
— Relaxa – disse o jovem erguendo uma mão espalmada e sorrindo com os lábios. Tomou mais um gole da sua cachaça.
— Que espécie de lugar é esse?
— Qual lugar?
— Esse bar.
— É agradável, nunca entrou aqui?
— Não. Tem um rádio tocando Bukka White. Quem conhece Bukka White?!
— Você.
— E você, pra saber que é o próprio.
— Eu venho muito aqui, conheço toda a maldita coleção de blues desse cara.
— Achei que ninguém mais ouvia blues, meu jovem.
— E não ouvem. Não eles. Mas seres como esse taberneiro aí se alimentam de blues.
— Que tipo de seres?
— Poetas, esses ratos.
O velho se recostou no balcão para enxergar o outro lado e viu um sujeito vestindo uma bermuda e chinelos, com uma camisa aberta até o último botão mostrando sua pança respeitável e seu peito peludo, sentado numa poltrona, batendo um pé ritmado no chão e balançando a cabeça, com um sorriso no rosto e olhos fechados.
— Eu o conheci. – disse o jovem – Costumava atender os clientes pessoalmente. Pelo menos alguns deles. Mas parou há um bom tempo.
— Por que ele parou? – quis saber o velho.
— Percebeu que ninguém valia o que ele servia em seus copos americanos.
— Ele deve ter ficado muito amargurado para pensar que um homem não vale sequer um copo de uísque.
— Não foi o que eu disse.
— Eu não entendo.
— Aqui não se servia essa bebida ordinária que nós tomamos para esquecer quem somos.
— Há tempos eu não esqueço – disse o velho, virando o copo abandonado no balcão de um trago e pedindo outro para o garçom com o mesmo estalar de dedos do jovem. Percebeu ser eficiente. Tinha um copo cheio em mãos quando perguntou: “e o que se servia aqui?”
— Ausência, delírio, luxúria, melancolia, memória, silêncio, sonho, amor... O amor desse rato faria você chorar antes de tomar fôlego para um segundo gole. A luxúria dele deixaria você de pau duro em segundos, e depois de a sentir descendo pela sua garganta, você bateria uma punheta e gozaria no copo que acabou de esvaziar antes que percebesse que abaixou as calças.
— Mas isso é...
— Repugnante. Todos achavam isso. E mesmo assim continuavam vindo aqui. Vermes atraídos por uma satisfação maior que a vida que levavam, se arrastando por aí. Eu conheço esse buraco há um bom tempo. Devo ser a única pessoa da época da névoa que ainda vem aqui.
— Por que época da névoa?
— Era o que serviam pra gente. Idéias nubladas. Idéias são muito tênues. Mesmo sendo destiladas pelo poeta, ainda não passavam de névoa. Uma névoa deliciosa de se tragar. Pelo menos para mim era. Aposto que para todos os que se enfiavam porta adentro atrás daquelas garrafas preciosas. Luxúria era a mais procurada. Mas ninguém sabia apreciar a luxúria. São todos tolos no fim das contas. Eu me servi de luxúria uma vez. Saí pela porta antes que pudesse pensar em pagar a conta. Com uma ereção me cortando a glande. Fui à casa de uma amiga de infância que eu sempre amei, mas que nunca conheceu minhas intenções. Até o dia em que ela foi até o portão ver quem estava tocando a campainha e se deparou comigo nu na calçada. Não devia haver ninguém em casa aquela noite. Entrei fechando o portão atrás de mim e antes que ela pudesse perguntar o que acontecera às minhas roupas, já estava com minhas bolas roçando seus lábios, e uma glande pulsando na sua garganta. Eu a joguei na grama e abri suas pernas com força, me enfiei entre elas e beijei sua boca úmida de sêmen. Nunca soube se o hálito dela era bom. A fodi. Suguei cada poro da pele macia e branca, cada terminação nervosa da pele vermelha. A fodi por horas sem gozar, e quando o fiz ela já estava tão sufocada de prazer que não conseguiu dizer mais nada. Ela agüentou as duas horas e meia muito bem disposta. A deixei deitada na grama e fui embora, vendo aquela buceta rosa regando a terra. A vadia obviamente não era virgem, e nem eu queria que fosse. Teria sido horrível pra ela.
O velho não disse nada por um longo tempo e, embora o jovem achasse que veria uma expressão abismada naquele rosto estranho, ele sorriu com o canto da boca, mostrando algumas poucas rugas nas bochechas idosas.
— A poesia tem muitas faces não é, meu jovem?
— Muitos sabores, eu diria.
— Creio que se você tivesse tomado amor naquela noite, você estaria acompanhado agora e eu não teria ocupado um banco ao seu lado no balcão.
— Quem sabe? Eu não gostaria de voltar no tempo e testar. Talvez minhas próximas garrafas fossem melancolia, memória, ausência e, de todo modo, o rato não as serviria mais.
— Você nunca mais a viu?
— Vi, claro que vi. Mas a partir daquele dia ela não era nada além de uma buceta molhada na minha presença. E eu não tinha mais tesão nenhum por ela. O gênio dela é que me excitava, mesmo ela tendo seios ótimos.
— E quando foi que o poeta deixou de servir sua poesia engarrafada?
— No dia seguinte ao que eu saí sem agradecer a ele. Eu era o único cliente que considerava o que ele fazia como algo incrível, que o cumprimentava pelo seu talento. Quando até EU saí sem ao menos erguer um copo em homenagem ao rato, ele desistiu de destilar idéias. Ou ainda o faz, mas não as tira mais da cabeçorra redonda. Ele tem uma aparência muito melhor desde então. Parece mais feliz.
— Pelo menos os bluesmen o entendem. – disse o velho, olhando mais uma vez para o poeta sentado, agora com as mãos postas sobre a barriga e o pescoço recostado na poltrona, ouvindo Professor Longhair assobiar uma canção bucólica.
— NÓS o entendemos, mas eu nunca consegui me desculpar. Só posso vir aqui e beber um pouco dessa aguardente. – virou o copo, fechando os olhos e batendo no balcão com a garganta queimada – Nenhum outro buraco me acolhe tão bem. Não me sinto bem lá fora. A indiferença me consome nas ruas.
— E aqui dentro não?
— Não... – disse o jovem estalando os dedos para o garçom – Porque aqui eu ainda tenho uma esperança. O garçom me disse que o rato tem uma garrafa que ninguém jamais pediu. Eu tenho esperança de que ele me perdoe um dia e me sirva essa garrafa, em nome dos velhos tempos.
— Que garrafa é essa?
— O entusiasmo... eu me tornei indiferente. Livrei-me da dor, dos casos de amor fracassados, da decepção pelos prazeres inalcançáveis, da preocupação, da culpa, da insônia. Mas com tudo isso se foi a inspiração para a única coisa que eu sabia fazer bem.
— E o que você fazia, rapaz? – disse o velho curioso, fechando o terno com frio.
— Blues.
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quarta-feira, 11 de julho de 2012

CONTO: O garoto que não conhecia o Líbano

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Ele lia as estórias de trás pra frente. Qualquer estória. Desde aquelas de livros finos até às enciclopédias que a gente coloca em ordem e chama de vida. Ficava em casa folheando ao contrário porque era assim que se fazia alguém que vinha da Lua.
Quando as pessoas desciam da Lua elas não traziam malas, mas mochilas. Carregadas de fotos e tudo aquilo que não se pode ver. Aí elas batiam na casa de algum vizinho e mostravam todas as imagens.
O garoto me disse que não conhecia o Líbano, mas tinha um capacete de Marte. Servia para se proteger, pois dizia que tudo que é sólido pode derreter. Me contou que foi daí que surgiu “Tô com a cabeça na Lua” porque quando não se usava capacete o pescoço derretia e a cabeça se soltava. Havia muitas cabeças flutuantes em ambiente lunar. Me perguntou onde estava meu objeto de proteção contra todo o mal do desprendimento e eu não sabia o que dizer.
Foi nesse momento que partilhei o sentimento de extraterrestre.
- Não há problema, ele disse, vou te dar uma foto para você lembrar onde deve procurar. Sei que está aqui em algum lugar.
Desmanchou todos os livros da minha casa. Destruiu todas as estórias lineares e retirou toda a pontuação para que eu pudesse ver as palavras soltas. Vou confessar que em toda minha vida de coração viajante de pés livres foi a primeira vez que duvidei que alguém conseguiria me mostrar alguma coisa no meio daquela pilha de desorganização.
- Aqui, ele gritou em meio a meu Homero e o Inferno de Dante.
E eu não vi nada. Ficou balançando na minha cara todas aquelas folhas e eu só via o branco.
- Não há nada aqui, eu disse.
- Ah, sim – ele afirmou como se tivesse esquecido um detalhe muito importante.
Meus amigos fotógrafos dariam tudo pra ver uma câmera do espaço. A máquina fez clic e trouxe aquele brilho anos-luz. A pupila diminuiu e o coração dilatou por meio segundo. Entortei um pouco a cabeça pra ver se havia realmente enxergado bem a fotografia que ele balançava na minha cara mais uma vez.
Havia um ponto de interrogação tatuado no meio de uma mão. Eu dei aquelas duas piscadelas de confusão mental. Pessoas da Lua tinham pensamentos muito acelerados.
- Você precisa procurar sua energia estática, ele disse sorrindo.
Aí me entregou uma foto e um livro intitulado “Tudo que você gostaria de saber sobre a Lua e não tinha coragem de perguntar”
Depois disse que tinha que ir embora porque a Lua vivia se deslocando e ele precisava achar o caminho esquerdo antes que o direito derretesse. Pensei: Uau. Deve ser muito difícil viajar.


Você pode encontrar mais contos fantásticos em www.hannysaraiva.wordpress.com
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terça-feira, 10 de julho de 2012

meu último Marlboro

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Joe abria e fechava seu isqueiro de prata lisa enegrecida. Abria-o com um movimento do punho, olhava a chama com interesse quase científico e o fechava empurrando a tampa com o polegar.
Mac, que o acompanhava há anos fechando bares nas noites cansadas, acendeu um cigarro com um fósforo da caixinha que pediu ao dono do bar. Nunca havia pedido o isqueiro de Joe pois desconfiava que ele não o emprestaria. Deu uma boa tragada no cigarro, tomou um gole do seu scoth com gelo, pôs o copo na mesa e continuou o assunto:
— Ainda não acredito que você parou de fumar, Joe.
— Se você tivesse visto o que eu vi, você também pararia.
— O que aconteceu?
— Esqueça.
— O que você viu que te fez largar um vício de 17 anos?
— Você não acreditaria.
— Tente! Esse já é meu sétimo scoth hoje. Eu não ofereço resistência a nenhuma informação a essa hora da noite. Tente!
Joe foi diminuindo a velocidade do abrir e fechar do isqueiro de prata, pensando, até fechá-lo uma última vez e colocá-lo sobre a mesa, junto do seu bourbon.
— Ok.
— Maravilha.
— Você se lembra do que me disse sobre a Travessa do Gato Cego?
— “Mantenha-se a pelo menos três quadras de distância dela.”
— Exatamente. Bom, eu ouvi seu conselho, mas não obedeci completamente.
— Ah, merda... O que você fez, Joe?!
— Há umas duas semanas, quando você ainda tava viajando, eu fiquei muito deprimido uma noite e saí pra dar uma volta na rua. E cheguei mais perto do que deveria daquela rua sem saída.
— QUANTO mais perto?
— Eu entrei nela, Mac.
— Não acredito...
O cigarro se apagou esquecido entre os dedos de Mac e ele acendeu mais um fósforo e tragou um bocado até avivar novamente a chama. Seu rosto parecia um talo de palmito num vidro de conserva.
— Eu falei que você não ia acreditar.
— Não, não... Pelo amor de deus, Joe. Agora eu quero saber o que aconteceu. Fizeram alguma coisa com você?!
— Calma, deixa eu te contar. Já era tarde da noite quando eu comecei a andar no meio da rua da travessa. O asfalto de lá era o menos gasto que eu vi na minha vida. Não tinha nenhum carro nas calçadas ou nas garagens das casas. Parecia que não morava ninguém lá. As casas pareciam vazias. Todas escuras. Nenhuma com aquela maldita luz vinda da TV atravessando a janela. Mas depois eu descobri por quê.
Joe tomou seu bourbon de um gole e pediu outro ao dono do bar. Ele servia sozinho aquele pequeno boteco. Era um lugar agradável. Não tinha muito movimento àquela hora da noite. Podia-se conversar sem ser interrompido.
— No fim da travessa tinha um bar: “Boca do Belzebu”.
— Puuuta que pariu...
— É. Nome forte. Mas o lugar era simples que nem esse aqui. Quando eu vi a luz do bar de longe eu achei que todo mundo que morava na travessa estava lá. Mas o lugar tava tão vazio quanto o resto. Eu fui até o balcão e pedi uma cerveja de trigo, porque você sabe que eu não bebo destilado quando estou deprimido.
— Você é um masoquista intelectual, Joe. É quando você tá assim que você devia tomar uma garrafa de gim sozinho. Mas não, você quer continuar pensando nos seus problemas, e com a lucidez apurada que o pouco álcool te dá. Você é louco.
— Pronto?
— Pronto.
— Ok, então eu perguntei pro dono do bar, “por que não tem nenhuma luz saindo das casas dessa travessa? até parece que ninguém mora por aqui.”, e ele respondeu, “dormir e transar são coisas que se faz melhor no escuro.”
— Toma, cavalo.
— Na cara. Fechei meu bico e fui pra uma mesa. Tomei aquela garrafa em pouco tempo e pedi outra, o cara não parecia preocupado em fechar o bar. Toma esse whisky e pede outro logo, a melhor parte vem agora.
— Ok.
Mac tomou o scoth que estava pela metade e foi pegar outro no balcão. Acendeu um cigarro com o isqueiro de lá e voltou segurando ele na boca, com dois copos na mão.
— Trouxe outro bourbon pra você.
— Valeu, e pára de jogar fumaça na minha cara, filho da puta.
— Foi mal.
— Então. Eu tava lá olhando pro meu copo, aquela cor de mel maravilhosa da weiss.
— Aquilo é uma beleza.
— É sim. Tava lá olhando pro copo, tava até sorrindo, tinha até esquecido um pouco o que tava me deprimindo. Tateei no bolso e peguei meu maço de Marlboro. Só tinha um. Peguei meu isqueiro no bolso da camisa. Acendi o cigarro e dei umas boas tragadas. Deixei o isqueiro na mesa e me recostei mais na cadeira e fiquei fumando. Naquele momento eu já não sabia mais o que tava me afligindo. Mas aí ele apareceu.
— Quem, mano?
— Eu não sei de onde aquele cara saiu, Mac. A rua tava deserta e ele despontou na porta do bar. Do nada. Um cara enorme. Com uns 2 metros de altura. Ele não era forte, nem fraco, nem gordo, nem magro. O cara era GRANDE entende? O corpo dele todo era proporcional à altura.
— Entendi.
— Ele tinha um puta bigode de Leminski e tava com uma jaqueta de couro preto que parecia que ele mesmo tinha arrancado do boi. A jaqueta ficava pequena pra ele, Mac!
— Ah, cê jura?
— E, meu, os olhos do cara eram pretos que nem breu e ele parecia irritado. Com o cabelo curto bagunçado. Ofegando. Mas, mano, não dava pra dizer que o cara era feio.
— Como assim, Joe?
— O cara parecia um vilão de filme de velho oeste. Um vilão daqueles de Hollywood.
— Entendi, cê curtiu o cara.
— Curti o cu da sua mãe, caralho!
— Calma, Joe. Tô zoando, continua aí.
— Ele foi pro balcão e acho que falou alguma coisa. Eu não ouvi. Só ouvi o dono do bar dizendo, “você sabe que eu não vendo cigarros desde que me pegaram na lei antifumo, Kasparov. Sinto muito.”
— Russo sem vergonha!
— Puta merda, nem me fale. O cara ficou parado uns 10 segundos olhando pro dono do bar e virou pra mim. O russo tava furioso, Mac. Veio andando na minha direção sem tirar o olho do meu e eu não conseguia baixar a cabeça. Fiquei olhando pra ele com o meu cigarro na boca, paralisado.
— Nossa, Joe...
— É... Ele olhou pro maço vazio de Marlboro vermelho na mesa e olhou pro cigarro na minha boca e eu conseguia me mexer de novo, mas não movi um dedo. Uma ponta de cinza caiu do cigarro e queimou minha camisa.
Joe apontou para uma mancha marrom escura na camisa branca fechada no peito que ele vestia. Tomou seu whisky já com as pedras de gelo muito pequenas e aproximou de si o copo que Mac havia lhe trazido do balcão, esse sem gelo.
— Cacete...
— O maldito continuava olhando pra mim e quando eu notei ele já tinha tirado uma faca do cu, porque eu não sei de onde ele tirou aquilo.
— Uma faca?
— É! Uma daquelas malditas facas que a gente vê em tabacarias do lado das estrelas ninja e eu juro por deus que eu nunca achei que alguém compraria uma porcaria daquelas.
— Isso é coisa de idiota.
— Mac, o cara era um psicopata. Ele apontou um dedo pro meu isqueiro em cima da mesa e eu o peguei tremendo e entreguei na mão dele. Adivinha pra que ele queria o isqueiro, Mac.
— Puta que pariu, fala logo.
— Aquele desgraçado abriu meu isqueiro e começou a esquentar a lâmina da faca com a chama. Ele ficou muito tempo assim, mano, e acho que na proporção que a faca ia esquentando eu ia gelando. Eu tava desesperado, mas continuei parado lá, não tinha pra onde correr, e do jeito que eu tava eu não queria mesmo correr, naquela hora seria bom se ele acabasse comigo porque eu lembrei de todas as merdas que estavam acontecendo e não era má idéia dar um fim a elas.
— Não fala isso, Joe.
— Eu tava pensando nisso na hora, mano. Mas você não vai acreditar no que ele fez depois.
— Pode falar, Joe. Eu não vou beber mais nada hoje, quero lembrar disso amanhã de tarde.
— Acho que você vai lembrar disso por muito mais tempo.
— Então conta logo.
— O cara colocou o isqueiro na mesa e espalmou a mão no canto dela. Mexeu os dedos de modo que ficasse só o dedo médio em cima da mesa. Aquele dedo devia medir uns 15 centímetros, Mac, e era grosso. Como eu disse: proporcional. E, mano, ele encostou a faca na base dele. Eu ouvi o “tssss” da pele tostando e deu pra ver os pelinhos do dedo queimados.
— Ai...
— Ele ergueu a faca na altura da cabeça e desceu ela com tudo. TAW!
Joe estava ilustrando o movimento com a própria mão imitando uma lâmina golpeando seu dedo na mesa. Mac, puxou o ar entre os dentes e franziu todo o rosto.
— Sssssssssss...
— O dedo dele foi um pouco pra frente na mesa, solto, com a força do golpe, e quase não sangrou. Aquele maldito deixou a faca pressionando o toco de dedo que sobrou “tsssssssssssssssssssssss” e quando ele tirou a faca ela tava com uma mancha feia na lâmina e o dedo do cara tava cauterizado.
— Caralho, que maníaco. Pra que isso, velho?!
— Ele pôs a faca na mesa, Mac, e pegou o dedo médio cortado. Virou ele na mão de um lado pro outro e sabe o que aquele psicopata fez? Ele mordeu a ponta do dedo, Mac! Arrancou a unha e a ponta da falangeta com uma mordida, como quem morde um maldito charuto! E você sabe o que ele fez?! Ele segurou o dedo entre os dentes com as digitais pra cima praquela merda não dobrar! Ele segurou o dedo em riste na boca. Pegou meu isqueiro e começou a queimar a falange! Deixou o isqueiro aberto queimando aquela pele fresca e começou a tragar o dedo como se fosse um maldito Havano!
— Catso!
— Ele chupava o dedo ficando cada vez mais irado e bufava mais que a besta cigana. E o dedo começou a crepitar na chama do isqueiro. A pele começou a soltar uma fumaça de cheiro horrível e o sangue coagulava cada vez mais depressa, mas a ponta tava queimando mais e mais forte.
— Meu deus.
— Quando parecia que ele ia explodir de cólera ele deu uma tragada com toda a força que tinha, apertando os olhos, e encolheu os ombros de satisfação. Ele segurou o dedo entre os dedos... caralho, ele fez mesmo isso... soltou uma baforada de fumaça rubra pra cima e arreganhou os dentes sujos de sangue pra mim como um maldito cachorro com raiva. Eu me levantei rápido da cadeira. Derrubei ela com a adrenalina. Ele olhou pra mim por uns segundos, segurou o dedo entre os dentes de novo, jogou meu isqueiro perto do meu copo na mesa e saiu pela porta do bar, fumando o dedo. Ele esqueceu a faca na mesa. Eu olhei pro balcão e o dono não estava lá. Olhei pra mesa e vi meu cigarro apagado e eu nem lembrava mais quando ele caiu da minha boca. Aquele foi meu último Marlboro. Eu o deixei lá junto com a faca, a garrafa e o copo de cerveja. Peguei meu isqueiro e saí, esquecido da cara velha do taberneiro. Saí daquele lugar tremendo, sem olhar pra trás. Acho que nunca andei tão rápido em toda a minha vida.
Mac olhou para Joe um bom tempo ainda depois que este parou de falar. Seu cigarro pendia de sua boca ainda aceso, metade dele cinzas que teimavam em não cair. Ele deu uma última tragada no cigarro e o segurou com os dedos, apontando-o para Joe:
— Aquele psicopata devia ter fumado o SEU dedo, Joe. Aí você ia aprender a me ouvir.
— Eu acho que sou sortudo, não?
— Você é um filho da puta, Joe. Você é um filho da puta.
Joe concordou com a cabeça e Mac apagou seu cigarro no cinzeiro com o rosto assombrado. Seria seu último Pall Mall.


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Ateu, anarquista, contraculturista, polemista e marginalista, acho que sou tudo o que o Hippies & Beatniks preza e que os conservadores desprezam. Sendo antigamente um poeta hiperinspirado e atualmente um estudioso de história da religião, não vou mostrar nenhuma dessas fases no momento. Separei uma série de quatro contos sobre o cotidiano fantástico que pretendo postar aqui no blog como um portfólio para não chocar tão depressa os desavisados. E esse foi um deles.


Espero que tenham gostado e muito obrigado pela atenção dos que leram até este ponto.
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Jornalismo: a literatura apressada quase obrigatória à sobrevivência humana

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Jornalismo 




     A literatura apressada quase  obrigatória à sobrevivência humana 









O jornalismo em si, iniciou-se na Antiguidade clássica, pode dizer-se que, historicamente, o primeiro grande fenômeno que contribuiu para fixar a matriz do que veio a ser o jornalismo proveio dos antigos gregos. sendo abandonado e retomado na Idade moderna graças ao Renascimento.  




O que determina e identifica os fenômenos pré jornalísticos e o jornalismo é a notícia. Os discursos pré-jornalisticos e jornalísticos, em todos os tempos, possuem uma natureza sócio-cultural, e demonstra como é o mundo e as circunstâncias vividas na época. Com a Inglaterra seiscentista surgiu a liberdade de imprensa que foi fundamental para o desenvolvimento do jornalismo nas sociedades ocidentais contemporâneas. 




Com a industrialização surgiu um grupo profissional de jornalistas, porém desde o século XVII já existiam gazeteiros e periodistas que viviam da elaboração de notícias . Vale lembrar que ao se tornarem profissionais, os jornalistas, no século XIX, reformataram um modelo que existia na antiga Roma. 









Alejandro Pizarroso Quintero(1996: 8-11),sistematiza que há três grandes opiniões sobre a origem do fenômeno jornalístico, as duas primeiras “sócio culturais” e a terceira “técnica”: 




1. O fenômeno jornalístico existe desde a Antiguidade, porque desde a Antiguidade existem dispositivos para a troca regular e organizada de informações atuais, ou seja, para a troca de notícias. 




2. O jornalismo é uma invenção da Modernidade, estando ligado à aparição da tipografia e ao surgimento, expansão e aquisição de periodicidade da imprensa na Europa, embora tenha como antecedente imediato as folhas noticiosas volantes manuscritas e impressas que surgiram entre a Baixa Idade Média e o Renascimento. 




3. O fenômeno jornalístico nasce no século XIX devido quer ao aparecimento de dispositivos técnicos, designadamente impressoras e rotativas, que permitiram a massificação dos jornais, quer à invenção de dispositivos auxiliares que facultam a transmissão da informação à distância (como o telégrafo e os cabos submarinos) e a obtenção mecânica de imagens - as máquinas fotográficas. Neste quadro, a necessidade de notícias permitiu a aparição das agências noticiosas internacionais, que tornaram o jornalismo o principal dispositivo enformador da “aldeia global”, segundo a metáfora de McLuhan. 









Origem 












Pintura rupestre egípcia

O jornalismo tem a sua origem nos tempos imemoriais em que os seres humanos começaram a transmitir informações e novidades e a contar histórias, quer por uma questão de necessidade (nenhuma sociedade, mesmo as mais primitivas, viviam sem informação), quer por entretenimento, quer ainda para preservação da sua memória para gerações futuras (o que, simbolicamente, assegura a imortalidade). Algumas pinturas rupestres, por exemplo, são testemunhos iconográficos deixados pelos nossos ancestrais de acontecimentos relevantes da sua vida quotidiana, embora possam ter tido outras finalidades, artísticas ou mesmo místicas e mágicas.  




O processo de Neolitização, que iniciou no mesolítico(arte rupestre, armas), foi o responsável pela evolução até a civilização, tendo como características:  A sedentarização das populações nómadas, devido às práticas agrícolas e da pastorícia; a fundação das primeiras cidades, como Jericó, devido à sedentarização; início das trocas regulares de bens dentro das cidades e entre as cidades, o que origina o comércio; início da escrita, devido, provavelmente, às necessidades comerciais de registo dos bens trocados e às necessidades sociais de administração das primeiras cidades.(Existem 2 hipóteses principais, a primeira é que inicialmente, eram utilizadas pedras para “caracterizar” um certo produto, por exemplo, três pedras redondas de um certo jeito era o milho, com o passar do tempo, passaram a desenhar essas pedras em placas de argila, para facilitar o transporte e arquivo da informação, assim terá iniciado a pré-escrita ou escrita; outra hipótese é que a “pré-escrita” tenha começado pela colocação de determinados sinais nos recipientes utilizados para armazenar géneros alimentícios e armas nos armazéns. Os comerciantes, por seu turno, também terão desenvolvido um sistema “pré-escrito” de registo de informações em placas de argila e barro, para  inventariarem o que possuíam, saberem o que vendiam, a quem vendiam e por quanto vendiam, etc.) 




As primeiras redes de recolha e difusão da informação remontam à Antiguidade, época em que as notícias eram transmitidas oralmente ou por escrito e tendo por destinatários públicos mais ou menos alargados. Na Suméria e na Mesopotâmia, várias cidades sob liderança unificada, primeiras pátrias da escrita,  foram criadas publicações em suportes de cera ou argila com os selos cilíndricos e cunhas.  Acta Diurna, que surgiu em Roma cerca de 59 A.C, é o mais antigo “jornal” conhecido. Júlio César, desejando informar o público sobre os mais importantes acontecimentos sociais e políticos, ordenou que os eventos programados fossem divulgados nas principais cidades mandou gravar em tábuas de pedra uma lista dos eventos. mais tarde, sob o governo do imperador Augusto, as tábuas evoluíram para os Acta Diurna, uma espécie de jornal escrito em grandes placas brancas e expostas em lugares públicos populares que relatava notícias militares, obituários, feitos do desporto obre escândalos no governo, julgamentos e execuções. Na China do século VIII, os primeiros jornais surgiram em Pequim sob a forma de boletins escritos à mão.  Para vários historiadores, o primeiro jornal em papel foi publicado na China, no século VIII e chamava-se Notícias Diversas. Em 1908, os chineses comemoraram o milenário do jornal Ta King Pao (Gazeta de Pequim), apesar de a informação não ter comprovação absoluta. Todavia, há notícias de um primeiro esboço de jornal ter sido publicado na China mil antes da era de Cristo, o Kinf-Pao. O Egito da Antiguidade também tinha os seus "jornais" , à época suportes de sátiras e de    correspondência.  




Mais tarde, na primeira metade da Idade Média, os pregoeiros(aquele que é responsável pelos anúncios públicos) desempenharam as mesmas funções, sendo criados suportes como os cartazes-editais. No mesmo periodo, as folhas escritas com notícias comerciais e económicas eram comuns nas ruidosas ruas das cidades burguesas. 









Nascimento da impressão  












Prensa móvel de madeira

         Em 1440, o alemão Johannes Gutenberg desenvolve, a partir das técnicas usadas nas prensas utilizadas para espremer o vinho, uma prensa gráfica que estaria na origem de uma das maiores revoluções na história da humanidade: a possibilidade de reproduzir suportes escritos, sejam livros, brochuras ou jornais, em série, alargando o conhecimento e a informação a um leque alargado de pessoas. Quase 200 Bíblias foram os primeiros livros impressos. Logo na primeira remessa, acredita-se que tenham sido feitas cerca de 135 Bíblias de papel e 45 de velino (papel de couro de vitela). Impressas em latim e com letras góticas – imitando a escrita –, suas páginas tinham 42 linhas divididas em duas colunas. Algumas contavam com traços decorativos feitos a mão. Devido à grossura dos exemplares – até 1300 páginas –, cada Bíblia tinha dois volumes. De todas elas, 48 sobrevivem até hoje em museus de diversos países. Antes delas, Gutenberg imprimiu algumas páginas soltas para testar sua invenção. A prensa consistia em: caracteres avulsos gravados em blocos de madeira ou chumbo, que eram reagrupados numa tábua para formar palavras e frases do texto. Antes da prensa, cada cópia de livro exigia um escriba – que escrevia tudo a mão, página por página. Em 1424, por exemplo, a Universidade de Cambridge, no Reino Unido, possuía apenas 122 livros – e o preço de cada um era equivalente ao de uma fazenda ou vinícola. Gutenberg conseguiu, com seu invento, suprir a crescente necessidade por conhecimento da Europa rumo ao Renascimento. A partir do feito, a informação escrita deixou de ser exclusividade dos nobres e do clero. Até 1489, já havia prensas como a dele na Itália, França, Espanha, Holanda, Inglaterra e Dinamarca. Em 1500, cerca de 15 milhões de livros já haviam sido impressos.  




Durante essa era, os boletins informativos levavam a uma classe cada vez maior de comerciantes notícias de interesse sobre o mercado. Boletins em manuscrito circulavam pelas cidades da Alemanha já em fins do século XV.  Em 1556, o governo veneziano publicou o Notizie scritte, pelo qual os leitores pagavam com uma pequena moeda conhecida como “gazetta”.   




Esta arte propagou-se com uma rapidez impressionante pela Europa. A imprensa foi particularmente ativa nas cidades universitárias e nas cidades comerciais. Veneza, Paris, Frankfurt e Antuérpia eram alguns dos expoentes desta revolução. 







Primeiro periódico Português

               A imprensa periódica, ainda assim, precisaria de mais de século e meio sobre a invenção da tipografia para se tornar uma realidade. A verdade é que desde o século XVI, as notícias já eram um " bem" que se comprava e vendia. 




As gazetas do início do século XVII eram pequenos cadernos de 4 a 8 páginas, às vezes ilustrados com gravuras em madeira. Eram folhas de notícias em que se relatavam um acontecimento importante: batalha, festas, etc. Os pasquins surgiram mais tarde, representavam um novo tipo de folhas volante(folhas soltas). Os libelos surgiram no início do século XVI, eram consideradas folhas volantes que alimentavam as polemicas religiosas e, depois, políticas (boatos, injúrias, etc, eram comuns).  




A periodicidade era variável e não se podia falar de jornalismo, no sentido contemporâneo do termo, mas sim em redes de difusão de notícias utilizando suportes impressos. Na França revolucionária, no final do século XVIII, as gazetas, passaram a jornais diários de informação e foram, de facto, os primeiros jornais informativos. Estas  folhas revolucionárias misturavam um conjunto de gêneros: a prosa clássica, injúrias e insultos. 




O conteúdo dos jornais começou a focalizar assuntos mais locais na segunda metade do século XVII. No entanto, a censura era algo normal e os jornais raramente podiam abordar eventos que pudessem incitar o povo a uma atitude de oposição. As manchetes dos jornais anunciaram a decapitação de Charles I ao fim da Guerra Civil inglesa, embora Oliver Cromwell tenha tentado apreender todos os jornais na véspera da execução. Em 1766, a Suécia tornou-se o primeiro país a aprovar uma lei que  protegia a liberdade de imprensa (vale lembrar, que o primeiro país a possuir a mesma foi a Inglaterra). 









A evolução das mídias 







Primeiro rádio

             A invenção do telégrafo em 1844 transformou a imprensa escrita. Agora, as informações eram transmitidas em questão de minutos, permitindo relatos mais atuais e relevantes.   Em meados do século XIX, os jornais se tornaram o principal veículo de divulgação e recebimento de informações.  




O rádio explodiu no cenário da mídia nos anos 1920. Os jornais foram obrigados a reavaliar seu papel como principal fonte de informação da sociedade. Como as novas tecnologias de mídia de hoje, a evolução dessa fonte barata e alternativa de informações gerou a idéia de que o rádio destruiria a indústria de jornais. Reagindo à nova concorrência, os editores renovaram os formatos e conteúdos de seus jornais a fim de torná-los mais atraentes, aumentando também o volume dos textos para oferecer uma cobertura mais ampla e de maior profundidade. Assim que os jornais conseguiram se adaptar à novidade do rádio, viram-se obrigados a fazer uma autoavaliação à luz de um novo e poderoso veículo: a televisão .







Modelo de televisor de 1948






Alguns jornais, como o USA  Today, responderam aos avanços tecnológicos através do uso da cor e mediante artigos “curtos, rápidos e objetivos” como as matérias oferecidas pela televisão.   




Paralelo a  velocidade da transmissão da noticia no rádio, o entretenimento da televisão, surge outra mídia, a Internet. Onde o emissor e o receptor vivenciam o mesmo momento da comunicação. 




No início dos anos 90, quando surgiram as primeiras formas primitivas de Web Jornalismo, este era apenas uma extensão do jornalismo tradicional, nada mais que uma versão virtual dos jornais de papel, mas aos poucos foi crescendo e duas décadas depois já é uma das formas de informação mais utilizadas pela população no mundo todo.  




A potencialização da informação desafia o modo de fazer jornalismo. 




O jornalismo na Internet apresenta possibilidades de contextualização e enriquecimento do conteúdo como nunca existiu em qualquer outra mídia. O web jornalismo não é somente mais um meio de comunicação, ele é a convergência das mídias. Texto, áudio, vídeo e imagem em um só lugar e possibilitando a participação direta do leitor, é essa realidade que faz do jornalismo digital o ápice do jornalismo atual. No web jornalismo a noção de tempo e de espaço é diferente de um jornal impresso, de televisão e ou qualquer outro semelhante. Ele estabelece um grande fluxo de informações que são repassadas a milhões de pessoas em questão de segundos.  









Jornalismo no Brasil 












Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal
impresso no Brasil

Antes de ser independente de Portugal, as noticias, artigos, enfim, as atividades jornalisticas eram ocasionais no Brasil. Por ser uma colonia o pais não poderia possuir sequer uma escola de ensino superior(para ficar mais condicionado ainda a ignorância, não se rebelando assim contra o país que estaria “salvando” aos brasileiros da época). 




             A imprensa foi surgir no Brasil quando a família real portuguesa fugida de Portugal, por temer Napoleão Bonaparte, se instalou no nosso país. Por decreto do príncipe regente D. João, oficializou-se a divulgação de notícias diversas no País, em maio de 1808. Em princípio, eram mais informes políticos, mas o interesse público fez ampliar a abrangência da instituição, dando origem posteriormente a empresas da área. Em 10 de setembro de 1808, era impresso, o primeiro jornal editado no Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro. O jornal, que a principio saía duas vezes por semana, tinha quatro páginas. Depois de passar por várias direções e denominações, sempre com caráter oficial, tornou-se, em 1º de janeiro de 1892, o Diário Oficial, que se conhece até hoje. Praticamente ao mesmo tempo, nascia em Londres o Correio Braziliense, destinado ao mundo lusíada, fundado por Hipólito José da Costa, que se beneficiou da liberdade de imprensa existente na Inglaterra, podendo assim criticar livremente os atos do governo português.  




Até meados do século 20, arregimentaram-se jornalistas entre os nossos melhores escritores, como se fazia na Europa, logo depois deu-se ênfase a grandes reportagens, como se fazia nos Estados Unidos. Até hoje é muito forte a influência do jornalismo norte-americano em nossa imprensa. 









Afinal, pra que serve o Jornalismo? 









Segundo o minidicionário Aurélio, jornalismo sm, 1. A profissão do jornalista. 2. A imprensa jornalista. [Sin. Ger.: periodismo] 




Se analisarmos em tese o jornalismo serve para manter as pessoas informadas sobre o que acontece no mundo, país, estado, região, cidade em que vivem. Serve para demontrar as falcatruas dos poíticos, os problemas ambientais causados pelo homem, acidentes, problemas com relação a saúde, educação, moradia, saneamento básico, abastecimento de água, entre outros problemas, mas o mesmo serve tamém para mostrar as belezas do mundo, as várias facetas da cultura humana. 




O leitor do jornal o Globo João Drummond classifica o jornalismo da seguinte maneira : 




"Na sociedade moderna, cabe ao jornalismo a missão nobre, gratificante, mas às vezes ingrata, de informar, entreter e oferecer opiniões sobre os mais diversos assuntos de interesse do leitor. Ao informar um fato, o jornalista procura ser os olhos de seu "cliente", tentando ser o mais fiel possível em seu relato, utilizando para isto todos os recursos audiovisuais disponíveis postos a seu serviço. Diante de imagens pouco há a se fazer a não ser reforçar a notícia com uma fiel descrição e opiniões óbvias. É lógico que mesmo nestas circunstancias o profissional do setor pode usar criatividade na maneira com que relata o obvio ululante.  




Quando se trabalha com jornalismo de opinião a coisa muda bastante, porque o jornalista tem que se valer de dados disponíveis, muitas vezes incompletos e insuficientes, para preparar com estes ingredientes pratos prontos para serem oferecidos a ávidos e esfomeados leitores, no self-service das notícias. O jornalista de opinião se vale em seu trabalho do faro jornalístico e busca, ao defender suas teses, todas as referências e sinais que circularam e circulam pelo tempo/espaço de maneira que sua opinião possa refletir sua verdade pessoal, honesta e sincera. É por isto que o jornalista tem que procurar ser o mais independente possível ao desenvolver o seu trabalho. ".




Se analisarmos o que João falou, vemos de uma forma resumida, porém correta a importância do jornalismo, que na sociedade brasileira atual, que é uma república com liberdade de imprensa, é quase impossível deixar de existir. Se nos basearmos em fatos ocorridos nos últimos meses, em ditaduras oriundas o oriente médio, vemos quanto um governo influencia o jornalismo, fazendo com que o mesmo se torne proibido, mas não obsoleto, não deixando de existir, pois informação não precisa somente de papel e caneta para ser transmitida, não atualmente, mesmo cortando a internet na Líbia o país continuou de certa forma conectado a “rede” de notícias, fazendo com que o jornalismo não se tornasse obsoleto. 









Com o passar do tempo, o Jornalismo foi se adaptando às épocas, quase como se fosse obrigatório para a sobrevivência. Nenhuma outra atividade profissional mantém tantos elos diretos com a sociedade, e a formação desta, que a jornalística. Isto é fato porque, apesar de ter suas regras éticas específicas e leis regulamentadoras, o jornalismo toca o que a coletividade tem de mais humano. Desta forma, a maneira como o leitor compreende uma informação depende de sua formação social e mental. 







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