segunda-feira, 23 de abril de 2012

O amor... Por Khalil Gibran

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      Disse, então, Almitra: fala-nos do Amor.

      E ele levantou a cabeça e olhou para as pessoas, e o silêncio caiu sobre eles. 

      E com uma voz poderosa disse:

      Quando o amor vos chamar, segui-o, apesar do seu caminho ser duro e íngreme.

      E quando suas asas vos envolverem, abraçai-o, apesar da espada escondida entre suas penas poder ferir-vos. E quando ele falar convosco, acreditai nele, apesar de sua voz poder esfacelar vossos sonhos como o vento norte arruína o jardim. Pois mesmo quando o amor vos coroa, ele vos crucifica. Mesmo sendo para o vosso crescimento, ele também vos poda.

      Mesmo quando ele chega à vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que tremem ao sol, ele também desce até vossa ligação com a terra.

      Como feixes de milho, ele vos une a si próprio.

      Ele vos ceifa para desnudar-vos.

      Ele retira vossas espigas.

      Ele vos mói até fincardes moldáveis; e depois ele vos designa ao seu fogo sagrado, para que vós vos torneis o pão sagrado do festim de Deus.

      Todas estas coisas o amor fará convosco até que conheçais os segredos dos vossos corações, e, através deste conhecimento, vos torneis fragmentos do coração da Vida.

      Mas se, por medo, buscardes apenas a paz do amor e o prazer do amor, é melhor que cubrais a vossa nudez e que passeis da eira do amor, para o mundo sem estações, onde rireis, mas não todo o vosso riso, e chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.

      O amor não dá nada além de si mesmo e não toma nada além de si mesmo.

      O amor não possui nem é possuído, pois o amor é suficiente ao amor.

      Quando vós amais, não deveis dizer: "Deus está no meu coração", mas sim "Estou no coração de Deus". E não pensai que podeis dirigir o curso do amor, pois o amor, se acha que mereceis, dirige o vosso curso.

      O amor não tem outro desejo além de satisfazer a si mesmo. Mas se vós amais e precisais ter desejos, que sejam estes os vossos desejos: Derreter e ser como um riacho que corre e canta sua melodia para a noite. Conhecer a dor do carinho demasiado. Ser ferido pela vossa própria compreensão do amor, e sangrar por vossa própria vontade e com alegria. Acordar ao amanhecer com o coração leve e agradecer por mais um dia de amor, descansar ao meio-dia e meditar sabre o êxtase do amor, voltar para casa ao entardecer com gratidão, e então dormir com uma prece ao bem-amado em vosso coração e uma canção de louvor em vossos lábios.




Texto de Khalil Gibran retirado do livro "O Profeta"
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sábado, 7 de abril de 2012

Quem são os beatniks?

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     Viajar sem destino, com uma mochila nas costas, falando o que vem à cabeça, pedindo carona, bebendo wisky barato, com roupa surrada, fumando cigarros comuns... Assim eram a maioria dos beatniks. Mas quem de fato são esses "seres" estranhos, que ficavam perambulando pelas noites e falando "asneiras"? Quantos são? Pois é, não se sabe ao certo, sabe-se que alguns deles criaram obras incríveis, geniais, e que mudaram totalmente a vida de milhares de pessoas, mudaram a "forma de ver o mundo".

     Na década de 50, artistas, poetas, escritores desenvolveram um modo anti-materialista de viver. O nomadismo era uma característica dos quais, a busca espiritual, em geral muito aprofundada também, era algo que eles buscavam. A geração beat foi a primeira a nascer nos Estados Unidos com índole contracultural, o primeiro movimento forte iniciado por um pequeno grupo também.









Lucien Carr, Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William S. Burroughs

     Influenciados pela batida do jazz, os textos produzidos pelos beats são fortes, fluídos, impacientes, frenéticos... O ritmo seria, segundo Kerouac, uma prova de esforço da livre associação das palavras. Daí a designação dos vários estilos literários dos beats, como “prosódia bop”, expressão que foi cunhada por Kerouac, e definida por Gregory Corso como “a utilização de misturas espontâneas, imagens surrealistas, saltos, batidas, compassos, longas e rápidas vogais, versos longo, muito longos, e a alma como principal conteúdo”.

     As obras mais conhecidas, tidas como "marcos" da geração são: "Howl" de Allen Ginsberg, "Naked Lunch" de William S. Burroughs e "On the Road" de Jack Kerouac. Esses autores são os mais famosos beatniks, na minha opinião, gênios. Ginsberg com "Howl" me tira o fôlego, creio que seja o manifesto mais forte dessa geração, ele exalta o estilo de vida marginal, o uso de ilícitos e sexualidade liberal. Em "Naked Lunch", Burroughs explicita algo que é intrínseco as suas obras, a fascinação pela miscigenação de movimentos, ele gosta de misturar características cubistas com dadaístas, e naquela obra podemos conferir isso devido a ilinearidade da narrativa. Kerouac é um dos meus escritores preferidos, "On the Road", sua obra mais conhecida, e uma das melhores, junto de "Visions of Cody", é incrível, pitoresca e emocionante, fugindo de todos os padrões, os textos de Jack relatam experiências vividas pelo autor, e essas acabam servindo de inspiração para muitos leitores de suas obras.

     O movimento Hippie, dentre outros posteriores inspiraram-se nos beats, tanto que alguns hippies se autodeclaram beatniks, e assim por diante. Um grupo inspirador, com ideias incríveis, e ideais a serem seguidos. Quem são os beatniks? Sou eu, é você, somos nós, todos somos beats, todos temos potencial para isso, mas nem todos temos coragem para optar por uma vida à margem da sociedade, por um caminho meio obtuso e boêmio. Enfim, pessoal, leiam as obras acima citadas e busquem saber mais sobre esta geração incrível, que mudou completamente o pensamento de diversas gerações e que deixou enraizada sua marca na história.
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